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A
CEIA DO SENHOR
Acerca da ceia do Senhor, na epístola
de Paulo aos santos de Corinto encontramos escrito:
"Porque eu recebi do Senhor o que também
vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi
traído, tomou pão; e, havendo dado graças,
o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é
dado por vós; fazei isto em memória de
mim. Semelhantemente também, depois de cear,
tomou o cálice, dizendo: Este cálice é
o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes
que o beberdes, em memória de mim. Porque todas
as vezes que comerdes este pão e beberdes deste
cálice estareis anunciando a morte do Senhor,
até que ele venha. De modo que qualquer que comer
do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente,
será culpado do corpo e do sangue do Senhor.
Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do
pão e beba do cálice. Porque quem come
e bebe, come e bebe para sua própria condenação,
se não discernir o corpo do Senhor. Por causa
disto há entre vós muitos fracos e doentes,
e muitos que morrem. Mas, se nós nos julgássemos
a nós mesmos, não seríamos julgados;
quando, porém, somos julgados, somos corrigidos
pelo Senhor, para não sermos condenados com o
mundo" (1 Cor. 11:23-32).
Ora, dado que com a ceia do Senhor nós anunciamos
o sacrifício expiatório feito por Jesus
Cristo é necessário antes de tudo dizer
quais são os benefícios que brotaram da
oferta da carne e do sangue de Cristo.
O que fez Cristo por nós
oferecendo a carne do seu corpo
Jesus ofereceu a sua carne em sacrifício a
Deus para nos vivificar (porque todos nós estavamos
mortos nas nossas ofensas) na realidade um dia disse:
"Eu sou o pão vivo que desceu do céu;
se alguém comer deste pão, viverá
para sempre; e o pão que eu der é a minha
carne, que eu darei pela vida do mundo" (João
6:51). E também para nos santificar, de facto
está escrito que "fomos santificados pela
oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para
sempre" (Heb. 10:10). Então se hoje nós
estamos espiritualmente vivos e santos perante Deus
o devemos ao corpo de Cristo.
Jesus ofereceu o seu corpo em sacrifício pelos
nossos pecados a fim de anular o domínio do pecado
na nossa vida, de facto Paulo diz aos Romanos que Jesus
"condenou o pecado na carne, para que a justiça
da lei se cumprisse em nós" (Rom. 8:4).
Assim nós, pela oferta do seu corpo, estamos
mortos para o pecado, porque o pecado que tinha domínio
sobre nós foi anulado na sua carne. Paulo explica
este conceito aos santos de Roma nestes termos: "Não
sabeis vós, irmãos (pois que falo aos
que sabem a lei), que a lei tem domínio sobre
o homem por todo o tempo que vive?" (Rom. 7:1).
Nós sabemos que a lei tem domínio sobre
o homem somente enquanto ele está vivo, porque
uma vez morto, o homem não está mais sujeito
a ela, e de facto como faz a lei para ter poder sobre
uma pessoa morta que exalou a alma? De modo nenhum pode
dominá-la. E assim também nós para
não sermos mais escravos da lei deviamos morrer
espiritualmente para a lei, e isso aconteceu pela fé
na morte de Jesus. A crucificação do corpo
de Jesus Cristo tem pois para nós um imenso valor
porque nós tendo crido nele, fomos com ele crucificados;
é por esta razão que a lei não
tem mais domínio sobre nós, porque nós
estamos mortos com Cristo, na realidade está
escrito: "Assim, meus irmãos, também
vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo,
para que sejais doutro, daquele que ressuscitou dentre
os mortos" (Rom. 7:4). Graças sejam portanto
dadas a Deus que, pelo corpo de Cristo, nos fez morrer
para a lei que nos escravizava; sim, estamos mortos
com Cristo para o pecado que tinha domínio sobre
nós pela lei (que é a força do
pecado), para nos tornarmos propriedade particular de
Cristo e para viver para ele.
Jesus pelo seu corpo traspassado nos reconciliou com
Deus de facto Paulo escreveu aos santos de Colossos:
"A vós também, que noutro tempo ereis
estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras
más, agora contudo vos reconciliou no corpo da
sua carne, pela morte.." (Col. 1:21,22). Então
irmãos, nós que noutro tempo éramos
inimigos de Deus porque éramos amantes do prazer
do pecado e o amor pelo mal o manifestávamos
pensando coisas más e operando malvadamente,
em virtude do grande amor que Deus manifestou por nós
enviando o seu Filho a este mundo para morrer sobre
a cruz, fomos reconciliados com Deus justamente por
meio do corpo de Jesus Cristo. Reconciliados pois com
Deus por meio do corpo de Jesus temos paz no nosso coração
e se cumpriram as palavras do profeta Isaías:
"O castigo que nos traz a paz estava sobre ele"
(Is. 53:5). Dilectos, considerai isto; éramos
nós que deveriamos ser castigados por todas as
nossas iniquidades, nós deveriamos receber a
condigna pena das nossas transgressões, mas Jesus
que mal fez para ser morto no madeiro da cruz? Nenhum,
de facto está escrito: "Ele andou fazendo
o bem, e curando a todos os oprimidos do diabo"
(Actos 10:38), no entanto lhe foi dado mal pelo bem,
e ódio pelo seu amor, mas tudo isto tinha sido
antes determinado por Deus, ter que acontecer para que
nós fossemos reconciliados com Ele e nos tornássemos
seus amigos. A Ele seja a glória agora e pela
eternidade. Amen.
O que fez Cristo por nós
derramando o seu sangue
Jesus com o seu sangue remiu os nossos pecados. Ele
na realidade na noite em que foi traído, tomou
o cálice e depois de ter dado graças,
o deu aos seus discípulos dizendo: "Bebei
dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue
do pacto, o qual é derramado por muitos para
remissão dos pecados" (Mat. 26:28). Como
podeis ver o sangue de Jesus é o sangue do novo
pacto pelo qual nós obtivemos a remissão
dos nossos pecados. O princípio de que a expiação
dos nossos pecados se obtém pelo sangue está
expresso na lei quando vem dito: "A vida da carne
está no sangue. Por isto vos ordenei de pô-lo
sobre o altar para fazer a expiação pelas
vossas pessoas; porque é o sangue que fará
expiação pela vida... a vida de toda a
carne é o sangue; no seu sangue está a
vida; por isso tenho dito aos filhos de Israel: Não
comereis o sangue de nenhuma espécie de carne.."
(Lev. 17:11,14). Então segundo a lei, o sangue
devia servir para fazer a expiação dos
pecados, por esta razão Deus proibiu de comê-lo.
O sangue era posto sobre as pontas do altar de perfumes
e era derramado na base do altar do holocausto que estava
à entrada da tenda, isto era o que acontecia
quando estava toda a congregação de Israel
a pecar por errar, de facto Deus disse: "Mas, se
toda a congregação de Israel errar, e
o negócio for oculto aos olhos de congregação,
e se fizerem, contra algum dos mandamentos do Senhor,
aquilo que se não deve fazer, e forem culpados;
e o pecado em que pecarem for notório, então
a congregação oferecerá um novilho,
por expiação do pecado, e o trará
diante da tenda da congregação. E os anciãos
da congregação porão as suas mãos
sobre a cabeça do novilho perante o Senhor; e
degolar-se-á o novilho perante o Senhor. Então
o sacerdote ungido trará do sangue do novilho
à tenda da congregação. E o sacerdote
molhará o seu dedo naquele sangue, e o espargirá
sete vezes perante o Senhor, diante do véu. E
daquele sangue porá sobre as pontas do altar,
que está perante a face do Senhor, na tenda da
congregação; e todo o resto do sangue
derramará à base do altar do holocausto,
que está diante da porta da tenda da congregação
... Assim o sacerdote fará expiação
por eles, e eles serão perdoados" (Lev.
4:13-18; 4:20). Porém o sangue daqueles animais
que eram oferecidos como sacrifício pelo pecado
não podia purificar a consciência dos que
ofereciam aqueles sacrifícios expiatórios;
porque "é impossível que o sangue
dos touros e dos bodes tire os pecados" (Heb. 10:4).
O sangue daqueles animais na realidade prefigurava o
que Jesus Cristo derramaria na plenitude dos tempos
para fazer a expiação dos nossos pecados,
uma expiação perfeita porque cancelaria
todos os pecados da consciência daqueles que a
aceitariam por fé. A nossa consciência
foi pois purgada das obras mortas pela vida (o sangue)
do corpo da carne de Cristo. Era necessário pois
que Jesus derramasse o seu sangue, porque sem o derramamento
do seu sangue não teria podido ser concedida
a remissão dos pecados. Agora que o sangue da
aspersão foi derramado por Jesus, todos aqueles
que crêem nele são purificados de todos
os seus pecados pelo seu sangue.
Jesus com o seu sangue nos resgatou da vã maneira
de viver conforme está escrito: "Andai em
temor durante o tempo da vossa peregrinação,
sabendo que não foi com coisas corruptíveis,
como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã
maneira de viver que por tradição recebestes
dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo..."
(1 Ped. 1:17-19). Este resgate operado por Cristo tem
um grande valor porque mediante ele a nossa vida cessou
de ser uma existência vã, sem um sentido
e sobretudo sem uma recompensa depois de mortos. De
facto agora que estamos livres da vaidade (do que é
vão) que nos dominou por anos, vivemos pela causa
do Evangelho que é a melhor causa pela qual um
ser humano pode viver, porque todo o esforço
feito em nome de Cristo para honra do Evangelho terá
uma recompensa de Deus quando comparecermos diante dele
naquele dia. Na lei temos diversos exemplos de resgates
que prefiguravam o que Cristo realizaria. Um destes
é o do pobre que se vende conforme está
escrito: "E quando a mão do estrangeiro
e peregrino que está contigo alcançar
riqueza, e teu irmão, que está com ele,
empobrecer, e se vender ao estrangeiro ou peregrino
que está contigo, ou à raça da
linhagem do estrangeiro, depois que se houver vendido,
haverá resgate para ele; um de seus irmãos
o resgatará: ou seu tio, ou o filho de seu tio
o resgatará; ou um dos seus parentes, da sua
família, o resgatará; ou, se a sua mão
alcançar riqueza, se resgatará a si mesmo"
(Lev. 25:47-49). Nós também tinhamos sido
vendidos como escravos à vã maneira de
viver e dela fomos resgatados; mas não com dinheiro,
mas com o precioso sangue de Cristo, e se cumpriu a
palavra que disse o profeta Isaías: "Sem
dinheiro sereis resgatados" (Is. 52:3). O sangue
que Jesus derramou foi pois o preço do resgate
que Ele teve que pagar para nos conduzir à liberdade;
era pois necessário que o Filho de Deus tomasse
a nossa natureza humana, participando do sangue e da
carne.
Nós pelo sangue de Cristo fomos comprados para
Deus de facto João, quando foi arrebatado em
espírito, viu as quatro criaturas viventes e
os vinte e quatro anciãos prostrarem-se diante
do Cordeiro e os ouviu cantar este cântico: "Digno
és de tomar o livro, e de abrir os seus selos;
porque foste morto, e com o teu sangue compraste para
Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo,
e nação e para o nosso Deus os fizeste
reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra"
(Ap. 5:9,10). Que fomos comprados por Cristo com o seu
sangue é confirmado também por Paulo quando
diz: "Fostes comprados por bom preço..."
(1 Cor. 6:20). Mas então, antes de ser comprados
por Cristo, estávamos nas mãos de quem?
Irmãos, nós todos estávamos nas
mãos do inimigo antes de nos tornarmos a propriedade
particular de Deus. Nos salmos de facto está
escrito: "Louvai ao Senhor, porque ele é
bom; porque a sua benignidade dura para sempre. Digam-no
os remidos do Senhor, os que remiu da mão do
inimigo..." (Sal. 107:1,2). Como podeis ver estas
palavras confirmam que o inimigo nos tinha presos na
sua mão (e pela sua mão nós éramos
manipulados para fazer o mal a nós mesmos e aos
outros) mas também que Jesus Cristo, o nosso
grande Deus, nos libertou da sua mão. Jesus nos
dias da sua carne estava consciente que com o seu sangue
resgataria os eleitos da mão do inimigo na realidade
contou esta parábola para mostrar como ele veio
para libertar os que estão debaixo do poder de
Satanás. Ele disse: "Quando o valente guarda,
armado, a sua casa, em segurança está
tudo quanto tem; mas sobrevindo outro mais valente do
que ele, e vencendo-o, tira-lhe toda a sua armadura
em que confiava, e reparte os seus despojos" (Lucas
11:21,22). Jesus Cristo pois, para nos libertar do poder
de Satanás teve que enfrentar um combate contra
o príncipe deste mundo, e deste combate saiu
vitorioso. Jesus Cristo venceu o maligno morrendo na
cruz pelos nossos pecados e derramando o seu próprio
sangue por nós; Paulo de facto diz a tal propósito:
"E, despojando os principados e potestades, os
expôs publicamente e deles triunfou por meio da
cruz" (Col. 2:15). O Filho de Deus, pela sua morte,
destruiu aquele que tinha o império da morte,
isto é, o diabo, e ainda pela sua morte nos libertou
do temor da morte a causa pela qual nós todos
vivíamos no medo. Graças sejam dadas a
Deus, em Cristo Jesus, porque não temos mais
medo de morrer; nós, agora, temos o desejo de
partir deste corpo e ir habitar com o Senhor, a morte
não nos mete mais medo porque Cristo a destruiu.
O diabo, pela morte, faz viver no medo os que estão
debaixo do seu poder, enquanto Jesus, os por Ele resgatados
do poder de Satanás, os faz viver em paz e em
segurança, porque Ele destruiu a morte e o diabo.
Jesus obteve esta vitória sobre o diabo dando
a sua vida por todos nós, e nós, em Cristo
Jesus, vencemos o maligno. Nós pois não
vencemos o adversário com as nossas forças
ou por algum mérito pessoal, mas por causa do
sangue do Cordeiro; a nossa vitória sobre o diabo
é o fruto do tormento da alma de Cristo e não
o fruto de alguma boa obra por nós feita.
O significado que tem a ceia
do Senhor
Depois de ter dito o que Cristo fez por nós
pela oferta do corpo da sua carne e pelo seu sangue,
quero falar do significado que tem a ceia do Senhor.
Para falar dele devo porém antes de tudo fazer
uma referência à Páscoa porque a
santa ceia foi instituida por Jesus na noite em que
comeu a Páscoa com os seus discípulos
e na qual foi traído e porque a santa ceia tira
o seu significado justamente da Páscoa.
A Páscoa (a festa dos Judeus) foi instituída
por Deus quando os Israelitas ainda estavam no Egipto;
vejamos agora em que circunstância e qual era
o seu significado. Os Israelitas habitaram no Egipto
como Deus tinha dito a Abraão, e os Egípcios
os sujeitaram a uma dura servidão; depois Deus
ouviu os seus gemidos e se recordou do seu pacto com
Abraão, com Isaque e com Jacó e enviou-lhes
Moisés como cabeça e como libertador para
tirá-los do Egipto. Deus enviou contra Faraó
e contra os Egípcios que tinham maltratado o
seu povo, grandes juízos; o juízo de Deus
que obrigou Faraó a deixar ir Israel foi o extermínio
dos primogénitos. Faraó tinha endurecido
o seu coração, recusando-se a deixar ir
Israel; Deus, isto o viu e disse a Moisés: "Ainda
uma praga trarei sobre Faraó e sobre o Egipto;
depois vos deixará ir daqui... À meia-noite
eu sairei pelo meio do Egipto; e todo o primogénito
na terra do Egipto morrerá, desde o primogénito
de Faraó, que se assenta com ele sobre o seu
trono, até o primogénito da serva que
está detrás da mó, e todo o primogénito
dos animais" (Ex. 11:1,4,5). Deus disse pois a
Moisés que naquela noite (o décimo quarto
dia do mês de Abibe), ele feriria todo o primogénito
dos Egípcios e faria sair os seus exércitos
da terra do Egipto, mas Ele também disse a Moisés
o que eles deveriam fazer naquela noite para que o destruidor
não entrasse nas suas casas para atingi-los.
Deus de facto disse a Moisés e a Arão
para falarem a toda a congregação e dizerem-lhes
para tomar, no décimo dia daquele mês,
um cordeiro por família; ele devia ser sem defeito,
macho de um ano, e devia ser por eles imolado e comido
no décimo quarto dia daquele mesmo mês.
Eis o que Deus mandou a tal propósito: "E
o guardareis até o décimo quarto dia deste
mês, e todo o ajuntamento da congregação
de Israel o sacrificará à tarde. E tomarão
do sangue e po-lo-ão em ambas as umbreiras e
na verga da porta, nas casas em que o comerem. E naquela
noite comerão a carne assada no fogo, com pães
asmos; com ervas amargosas a comerão" (Ex.
12:6-8). O sangue do cordeiro pascal posto nas umbreiras
e na verga das portas serviria de sinal aos Israelitas,
porque o destruidor, quando passasse pelo Egipto, quando
visse aquele sangue passaria além e não
os destruiria; a carne do cordeiro ao invés devia
ser assada e comida com pão sem fermento (asmo)
e com ervas amargas, com os lombos cingidos, os sapatos
nos pés e com o cajado na mão, apressadamente,
porque naquela noite os Israelitas deveriam ir embora
do Egipto e eles deveriam estar prontos para a partida.
Os Israelitas fizeram como Deus tinha ordenado a Moisés
e a Arão e naquela noite comeram a Páscoa
e Deus os tirou do Egipto depois de uma escravatura
secular; Deus, falando daquele dia, disse: "E este
dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis
por festa ao Senhor; nas vossas gerações
o celebrareis por estatuto perpétuo... Guardai,
pois, a festa dos pães asmos, porque naquele
mesmo dia tirei os vossos exércitos da terra
do Egipto" (Ex. 12:14,17). E de facto, para os
Judeus a Páscoa é ainda um dia de memória
que eles celebram todos os anos, na qual eles recordam
a sua saída da terra do Egipto e também
o facto de o Senhor ter passado além das suas
casas quando feriu os Egípcios.
Se Jesus portanto instituiu a santa ceia justamente
quando comeu a Páscoa com os seus discípulos
isso significa que ele com a santa ceia quis que nós
discípulos nos recordássemos do seu sacrifício
expiatório feito para nos proporcionar uma libertação
superior àquela operada por Deus para com os
Israelitas, de facto com ele Jesus nos libertou do pecado,
a nós que éramos escravos dele. Enquanto
pois os Hebreus pela Páscoa recordavam e recordam
o seu êxodo do Egipto, nós pela santa ceia
recordamos a morte de Jesus pela qual saímos
deste mundo mau para ser um reino de sacerdotes de Deus
e de Cristo. E agora que somos sacerdotes de Deus e
de Cristo estamos em segurança; como os Israelitas
se sentiam em segurança dentro das suas casas
aspergidas de sangue, assim nós nos sentimos
em segurança tendo em vista o dia da ira de Deus,
quando Deus derramará a sua ardente indignação
sobre o mundo dos ímpios, porque estamos aspergidos
com o sangue de Jesus e sabemos que aqueles sobre os
quais Deus vir o sangue do Cordeiro que foi imolado,
serão libertados da sua ira, conforme está
escrito: "Agora, sendo justificados pelo seu sangue,
seremos por ele salvos da ira" (Rom. 5:9). Eis
porque Paulo diz aos Coríntios: "Porque
Cristo, a nossa páscoa, foi sacrificado por nós"
(1 Cor. 5:7), porque Cristo é o Cordeiro pascal
bem ordenado antes da fundação do mundo
mas oferecido pelos nossos pecados no fim dos séculos,
a fim de nos libertar pelo seu sangue do pecado e da
ira vindoura. A Ele seja a glória agora e eternamente.
Amen.
Jesus, na noite em que foi traído, enquanto comia
a Páscoa com os seus discípulos, tomou
o pão, deu graças, o partiu e o deu-lhes
dizendo: "Isto é o meu corpo, que por vós
é dado; fazei isto em memória de mim"
(Lucas 22:19), e depois de ter ceado tomou também
o cálice, deu graças e lhes o deu dizendo:
"Bebei dele todos, porque isto é o meu sangue...
fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória
de mim" (Mat. 26:28; 1 Cor. 11: 25). Das palavras
de Jesus aqui supracitadas e das do apóstolo
Paulo aos Coríntios (acerca da ceia do Senhor)
emerge claramente isto, a saber, que nós quando
comemos o pão e bebemos do cálice do Senhor,
anunciamos a morte de Cristo até que ele venha,
em outras palavras recordamos a morte de Jesus Cristo
acontecida séculos atrás; para nós
o dia em que comemos o pão e bebemos do cálice
do Senhor é um dia de memória que estamos
contentes de celebrar para a glória de Deus.
Não um dia em que se repete o sacrifício
de Cristo, como a igreja católica romana diz
falsamente aos seus fiéis, porque Jesus ofereceu-se
a si mesmo uma vez para sempre (cfr. Heb. 10:10) e o
seu sacrifício não é repetível
sob nenhuma forma e semelhança. Naturalmente
ao recordar este trágico evento que é
a morte de Cristo, nós temos comunhão
com o corpo e o sangue de Jesus que são representados
pelo pão e pelo vinho de facto Paulo diz: "Porventura
o cálice da benção, que abençoamos,
não é comunhão do sangue de Cristo?
O pão que partimos não é porventura
a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós,
sendo muitos, somos um só pão e um só
corpo, porque todos participamos do mesmo pão"
(1 Cor. 10:16,17). Porque é que nós temos
esta comunhão? Porque fomos santificados em virtude
da oferta do corpo de Cristo e fomos aspergidos com
o sangue de Jesus e por isso somos um só espírito
com ele conforme está escrito: "O que se
une ao Senhor é um só espírito
com ele" (1 Cor. 6:17). É evidente pois
que quem ainda não se uniu ao Senhor tornando-se
assim um só espírito com ele, não
sendo ainda um membro do corpo de Cristo, não
pode ter comunhão com o corpo de Cristo que é
representado pelo pão que nós partimos
e com o seu sangue representado pelo vinho.
Nenhum estrangeiro comerá
dela
Na mesa do Senhor não devem participar aqueles
que ainda não nasceram de Deus, porque eles são
estrangeiros e incircuncisos de coração.
Para demonstrar-vos como eles não têm o
direito de comer do pão e de beber do cálice
do Senhor vos recordo o que Deus disse a Moisés
e a Arão acerca da Páscoa: "Esta
é a ordenança da páscoa; nenhum,
estrangeiro comerá dela... Quando, porém,
algum estrangeiro peregrinar entre vós e quiser
celebrar a páscoa ao Senhor, circuncidem-se todos
os seus varões; então se chegará
e a celebrará, e será como o natural da
terra; mas nenhum incircunciso comerá dela"
(Ex. 12:43,48). Notai estas palavras: "Nenhum incircunciso
comerá dela"; neste caso era a circuncisão
na carne que era exigida ao estrangeiro que queria comer
a Páscoa. Portanto, como debaixo da lei o incircunciso
na carne não tinha o direito de comer a Páscoa,
assim debaixo da graça, aqueles que são
incircuncisos de coração não têm
o direito de comer a ceia do Senhor. Como o estrangeiro
antes de comer a Páscoa devia ser circuncidado
na carne, assim agora o incircunciso de coração
deve circuncidar o seu coração (arrependendo-se
dos seus pecados e crendo em Jesus Cristo) e depois
batizar-se para ter o direito de comer a ceia do Senhor.
Examinemo-nos a nós mesmos
Vejamos agora as palavras de Paulo: "De modo que
qualquer que comer do pão, ou beber do cálice
do Senhor indignamente, será culpado do corpo
e do sangue do Senhor" (1 Cor. 11:27). Quero fazer-vos
notar que Paulo mais adiante diz: "Quem come e
bebe, come e bebe para sua própria condenação,
se não discernir o corpo do Senhor" (1 Cor.
11:29), e isto o diz para explicar que os que participam
na ceia do Senhor sem discernir o corpo do Senhor, participam
indignamente e por isso são julgados pelo Senhor.
Nós filhos de Deus, lavados com o sangue de Jesus
Cristo, temos o direito de comer o pão e beber
do cálice do Senhor em virtude da graça
de Deus, não em virtude de algum nosso mérito
pessoal, mas exclusivamente pela graça do Senhor
Jesus, isto o reconhecemos e o dizemos: mas se um filho
de Deus não se conduz de modo digno do Evangelho
de Cristo e come o pão e bebe do cálice
do Senhor, come e bebe indignamente e se faz culpado
do corpo e do sangue do Senhor, atraindo o inevitável
juízo de Deus sobre a sua cabeça. Em Corinto
haviam crentes que desprezavam a Igreja de Deus e na
refeição comum envergonhavam os que não
tinham nada, de facto Paulo escreveu aos santos de Corinto:
"Quando pois vos ajuntais num lugar, aquilo que
fazeis, não é comer a Ceia do Senhor;
porque, na refeição comum, cada um toma
antes a própria ceia; e enquanto um tem fome,
o outro está bêbado" (1 Cor. 11:20,21);
isto é o que sucedia no seio daqueles irmãos.
Os crentes da igreja de Corinto se reuniam não
pelo melhor mas pelo pior, antes de tudo porque quando
se congregavam em assembleia haviam divisões
entre eles, e depois porque na refeição
comum cada um antes comia a própria ceia e enquanto
um tinha fome o outro estava bêbado. O que de
errado os Coríntios faziam era que se embriagavam
e se aproximavam da ceia do Senhor naquele estado fazendo-se
culpados do corpo e do sangue do Senhor porque, dado
que perdiam o discernimento, não eram mais capazes
de discernir o corpo do Senhor. E Deus puniu os que
não discerniam o corpo do Senhor de facto no
seio da igreja de Corinto muitos eram doentes e muitos
morriam justamente por esta razão, isto é,
porque comiam a Ceia do Senhor indignamente. E não
é que as coisas estejam mudadas porque o Senhor
ainda exercita os seus juízos contra os que comem
a Ceia do Senhor indignamente. Portanto irmãos,
sabendo que "o Juiz está à porta"
(Tiago 5:9), cuidemos de nós mesmos para não
sermos julgados pelo Senhor. Debaixo da lei, a respeito
da Páscoa, havia uma norma que nos mostra como
para comer a Páscoa era necessário estar
puro. Deus deu esta norma numa específica circunstância,
isto é, no caso de alguns que se tinham contaminado
pelo contacto com um morto não podiam celebrar
a Páscoa no tempo estabelecido. Ele disse que
aqueles homens podiam celebrar a Páscoa mas só
um mês depois (cfr. Num. 9:1-11) para lhes permitir
primeiro purificar-se. Quem se contaminava com um morto
de facto permanecia impuro sete dias e devia purificar-se
no terceiro e no sétimo dia com a água
da purificação para ser considerado de
novo puro (neste caso a pureza que dava a água
da purificação era a pureza da carne).
Nós, pois debaixo da graça, antes de comer
o pão e de beber do cálice do Senhor faremos
bem em nos examinarmos a nós mesmos e confessar
a Deus as nossas transgressões a fim de ser purificados
de toda a iniquidade com o sangue de Jesus. Por isso
irmãos, "purifiquemo-nos de toda a imundícia
da carne e do espírito" (2 Cor. 7:1) antes
de comer o pão e de beber do cálice do
Senhor, para não sermos punidos por Deus.
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